Evangelho, Marxismo e Eu no Meio

Até o ano de 2009 eu me apresentava como politicamente conservador e liberalmente econômico, algo semelhante à posição republicana americana. Os primeiros estudos em Comércio Exterior no ano de 2008 possivelmente geraram uma leve influência nas minhas posições, mas a verdade é que elas já existiam antes de eu entrar na faculdade. Em geral, as posições conservadoras que eu abraçava simplesmente não haviam sido refletidas e raciocinadas. Até onde eu consigo lembrar, elas simplesmente estavam . Eu pensava que o comunismo era uma posição antibíblica, ateísta, injusta e que tinha gerado como frutos apenas milhões de mortes ao redor do globo e, assim, como o conservadorismo político era o posicionamento default contra esta cosmovisão ateísta, é explicável porque eu tenha o abraçado.

Durante o segundo semestre de 2009 e o primeiro semestre de 2010, as conversas (na verdade foram verdadeiros debates com farpas para todos os lados) com meu amigo marxista Glauber Ataíde e a leitura de um livro específico Fidel e a Religião (Frei Betto) me fizeram questionar muitos destes princípios não refletidos que ate então eu abraçava, de modo que, ao final destas conversas e das primeiras reflexões verdadeiras sobre a controvérsia em questão eu me senti impelido a concluir que: (1) as acusações contra os comunistas e o comunismo não eram totalmente justas; e (2) que seu eu aplicasse o mesmo rigor que eu estava aplicando no comunismo sobre a fé cristã, eu deveria ser honesto o suficiente para deixar de ser cristão.

Eu já expliquei estas conclusões em outros textos neste blog (aqui, aqui e aqui), mas, repetindo, por conveniência, se o comunismo deveria ser evitado por ter causado milhões de mortes no mundo, eu de igual modo deveria deixar de ser cristão, pois os cristãos ao longo da história também causaram milhões de mortes. Aliás, nem amar Deus eu deveria, pois Deus é um verdadeiro exterminador de acordo com os relatos do Antigo Testamento. Evitar o comunismo por causa das mortes que ele causou parecia ser um argumento muito simplista de minha parte, ainda mais porque, a “alternativa” (o conservadorismo) também matou milhões ao redor do mundo. (Esta conclusão ficou ainda mais latente diante das evidências que contestam as “milhões” de mortes causadas por comunistas.)

Outro argumento era que o comunismo era injusto, pois não privilegiava o trabalho de quem se esforçava mais. Mas após refletir um pouco eu pude perceber que, na verdade, o inverso é verdadeiro. É no capitalismo que acontece das pessoas que trabalham mais receberem menos e das pessoas que (literalmente) não fazem nada deterem a maior parte das riquezas do mundo. Outro argumento que tinha era que o comunismo não proporcionava avanço científico e tecnológico, mas a Cuba atual e a ex-URSS são contra exemplos deste fraco argumento. Outro argumento era que as pessoas passavam fome nos países comunistas até perceber que, na verdade, o que não há nestes países é um contraste gritante entre luxo e miséria. Não há luxo e desperdício, as coisas são realmente difíceis, mas também não há pessoas agonizando de fome nas ruas. Ao passo que o capitalismo permite que famílias ricas esbanjem e desperdicem alimentos enquanto outras lutam para encontrar alimentos no lixo (não estou falando de África, mas de São Paulo, Belo Horizonte ou qualquer cidade grande no Brasil).

Enfim, conversas com meu amigo Glauber Ataíde e autocríticas ao que até então eu considerava “verdade” me fizeram suspender os julgamentos que até então eu tinha e, então, começar a tender de leve para a ala esquerda da controvérsia social. Na verdade, em alguns textos neste blog eu escrevi e falei como se já tivesse de fato aderido ao comunismo. Contudo, o fato é que não aderi. Apesar de considerar que o comunismo apresenta uma logística social muito mais justa e eficaz do que aquela em que nós vivemos, eu não sou comunista, isto se deve basicamente a duas razões, e eu considero proveitoso citá-las aqui.

Primeiro, eu não quero cometer o mesmo erro que cometi quando abracei aos princípios da direita sem ter refletido suficientemente sobre eles. Seria completamente precipitado de minha parte abraçar o comunismo sem estudar e refletir sobre o que Marx disse, o que eu pretendo fazer em tempo oportuno. Se me declarasse comunista agora, “imaturo” na questão como estou, estaria agindo de forma completamente precipitada e incoerente, e não quero errar assim novamente.

Segundo, e mais importante, pelo pouco que sei sobre o comunismo até o presente momento, existem alguns pontos de atrito entre dele com a cosmovisão cristã, de modo que uma síntese completa entre cristianismo e marxismo possui algumas graves dificuldades. A participação em lutas armadas é um destes pontos de choque. Na época de Cristo existiam os rebeldes mais radicais que incitavam o povo à luta armada contra o Império Romano, os zelotes, mas curiosamente Cristo não fez parte de seu movimento. Cristo até tinha um zelote entre seus apóstolos, mas isto não diz muita coisa já que ele também tinha no mesmo grupo de discípulos um publicano, cobrador de impostos. (Gosto de tentar imaginar como deveriam ser as inflamadas discussões internas neste grupo.) As ordens neotestamentárias para que alimentemos e oremos por nossos inimigos não são compatíveis com a tomada do poder à força, matando se necessário, como o marxismo defende. E existem ainda as divergências teóricas entre ambas as cosmovisões (embora sejam menos importantes em minha opinião do que as divergências práticas), de modo que uma síntese completa entre ambas parece-me difícil. Usando as palavras de Jesus (admitidamente retirando-as de seu contexto), ninguém pode servir a dois senhores (Mt 6:24). Se alguém pretende fazer esta síntese entre estas duas visões de mundo, ou ela deve ser primordialmente marxista e enxergar com bons olhos a fé cristã como um todo, relativizando os pontos de atrito, ou ela deve ser primordialmente cristã e enxergar com bons olhos os aspetos do marxismo que não contradizem sua fé, ou que são compatíveis com a mesma.

Qualquer tentativa de síntese se resumirá a algumas destas posturas mencionadas acima, e eu adotei a segunda. Agora, antes que algum partidário de direita pense em copiar minhas palavras como admissão de um ex-quase-comunista de que é impossível que um cristão abrace o comunismo, eu digo que sinceramente considero infinitamente mais difícil uma síntese entre a fé cristã e os princípios que norteiam o capitalismo e o conservadorismo político (que são abraçados de forma passiva pela grande maioria da nossa amada classe média, incluindo os cristãos). Isto porque o capitalismo é baseado no egoísmo, no individualismo e no lucro, princípios combatidos veementemente por Jesus e pelos apóstolos. O Evangelho do “considere os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3) é completamente oposto ao princípio capitalista (raptado do darwinismo?) do “sobreviva o mais forte”. O Evangelho do “amor ao dinheiro é o princípio de todos os males” (1 Tm 6:6-10) é completamente oposto ao capitalismo no qual o lucro tem toda a primazia.

Então, ao mesmo tempo em que, por ser cristão, racionalmente eu não posso me assumir também comunista por não concordar com alguns dos seus métodos, eu (1) vejo com bons olhos a eficácia do comunismo na condução política, econômica, cultural e social das nações onde ele foi implantado, e (2) considero os princípios nos quais o capitalismo se baseia (e que são essenciais a ele) ainda mais difíceis de serem conciliados com o espírito do Evangelho.

A leitura de alguns livros no segundo semestre de 2010 e agora no primeiro semestre de 2011 tem me conduzir para a posição em que estou agora. Anarquia e Cristianismo (Jacques Ellul, Garimpo Editorial, 2010) me mostrou que os cristãos primitivos eram completamente anárquicos e subversivos em relação a qualquer posição política da época. O autor conseguiu mostrar com muita propriedade que passagens que aparentemente ensinam a obediência cega aos poderes seculares (p. ex., Rm 10) se lidas em seu contexto, na verdade, dizem o contrário, defendendo o anarquismo.

Jesus antes do Cristianismo (Albert Nolan, Paulus, 1987) também ratifica o aspecto subversivo e anárquico dos ensinamentos de Jesus. O autor, que inclusive apresenta justificativas para a luta armada do povo contra os poderosos, defende que a posição de Cristo era anárquica (ou seja, indiferente e contra o uso do poder político para atingir seus objetivos), e não “revolucionária”, como a posição dos zelotes.

A mais influente dessas leituras, The Myth of a Christian Nation: How the search for political power is destroying the church (Gregory Boyd, Zondervan, 2005), ainda sem previsão de lançamento no Brasil, é uma verdadeira marretada na cara dos teólogos e pastores americanos (representados no Brasil por Antônio Piragini, Silas Malafaia, Júlio Severo, Norma Braga e Augustus Nicodemos Lopes) que tem incentivado os cristãos a abraçarem a direita em vista principalmente de questões como legalização do aborto e casamento gay. O autor mostra com muita propriedade neste livro que qualquer modelo político deste mundo, seja de direita ou de esquerda, sempre atuará estabelecendo poder e influência sobre as pessoas. Este modelo “poder sobre”, de acordo com Boyd, é o modo como o “reino do mundo” de conduzir as coisas. O modo “reino de Deus” das coisas funcionarem é com o “poder sob” as pessoas, com o serviço e com o amor, a forma como Jesus agia.

A discussão de Boyd em The Myth of a Christian Nation é uma das contextualizações históricas mais impressionantes que já li. (Não é a toa que Lee Strobel tece todos aqueles elogios sobre ele em seu livro Em Defesa de Cristo.)

A leitura destes livros, principalmente do último, me fez recuar um pouco na direção que estava rumo ao comunismo, embora não tenha deixado de concordar que este modelo, implantado, é muito mais eficaz e justo do que o capitalismo. Isto não caracteriza incoerência, uma vez que, como o próprio Boyd argumenta em seu livro, mesmo que nenhuma tendência política represente com suficiência os princípios do Evangelho, sempre existirão modelos políticos mais justos e outros mais perversos. Ou, como C. S. Lewis disse (também deliberadamente extraindo suas palavras de seu contexto), para cada conta certa existe apenas uma resposta certa, mas, entre as erradas, algumas estão mais próximas do resultado correto do que as outras.

Recentemente em uma discussão virtual com outros amigos apologistas a questão da impossibilidade de se implementar o comunismo de forma pacífica, sem derramamento de sangue, foi levantada , pois, como perguntou meu amigo, “Quando alguém vai por livre vontade se dispor dos seus bens em prol dos demais?” Não pude deixar de responder a ele que isto já aconteceu uma vez, sim, na Igreja primitiva, quando as pessoas voluntariamente vendiam suas propriedades e traziam o dinheiro aos pés dos apóstolos , que repartiam os recursos conforme a necessidade de cada família, sobrando muito para a alimentação dos famintos e para as viagens missionárias (Atos 2:44-45).

Como cristão eu acredito que apenas o verdadeiro Evangelho é capaz de gerar no ser humano tamanho sentimento de desprendimento e amor ao próximo, ao ponto do sujeito não considerar mais suas posses como bem exclusivo seu, mas como bem que pode ajudar a muitos. Somente o puro Evangelho, com tempo e disciplina, é capaz de libertar o ser humano de suas alienações. Mas isto é praticamente (isto é, “na prática”) impossível de se acontecer em proporções globais. O poder sempre está do lado dos nossos inimigos, como observou Salomão (Ec 4:1), e nossos inimigos não medirão esforços para manter este sistema social tão perverso que prioriza o lucro à vida. Deste modo, apesar de não tomar parte na luta (se necessário, armada) dos marxistas contra o capitalismo e as forças do consumo desenfreado que tem destruído este planeta, escravizando povos e dizimando vidas, eu “entendo” os comunistas quando eles dizem que a única forma de consertar este mundo é tomando o poder à força. Eu concordo com eles que o modelo comunista (mesmo que imperfeito em alguns pontos) é infinitamente mais justo do que o capitalista. Contudo, como cristão (e eu realmente preciso definir se sou primordialmente cristão ou comunista) meu modo de agir é pela influência através do amor, do serviço, como Cristo (do qual o nome “cristão” vem) agiu.

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13 Respostas para “Evangelho, Marxismo e Eu no Meio

  1. Já leu Tolstoi? Me parece que ele é anarco-cristão.

    É complicado, pelos exemplos históricos das manifestações comunistas, pensar em uma conciliação entre religião e comunismo – embora eu sempre tenha tendido a esquerda, acho que hoje ela é impregnada por muitas variáveis que nada tem a ver com sua ideologia inicial.

    Sem contar que é algo bem inaplicável, pois o capitalismo atual não pode ruir por conta de lutas armadas. E simplesmente impossível.

    Marx previu que o capitalismo iria se destruir sozinho, assim como o antigo feudalismo – que acabou dando lugar a burguesia.
    Não sei, temos visto muitas crises nos países europeus capitalistas, quem sabe isso não seja o “princípio das dores” do regime atual. rs

    É só esperar pra ver…

  2. Eliel,

    Segui pelo caminho inverso. Até o final 2010 considerava o capitalismo um mal, o grande causador de tanta desigualdade social e estava bem próximo de abraçar o ideal esquerdista como um modelo “solução”. Hoje posso dizer que estou mais para o ensaio de Norma Braga: “Por que não sou de esquerda”. Muito se deve ao seu texto: “Sobre Socialismo e Fé Cristã (Resposta a Norma Braga)”, e as discussões que surgiram após ele como o texto do Luciano Henrique: “O comuteísmo de Eliel Vieira”. Concordei e ainda concordo com alguns pontos que você levantou no texto: “Fala-se do Esquerdismo, mas e o Direitismo?”, o capitalismo atual realmente tem seus defeitos, no entanto passei a ter dúvidas sobre os pontos de convergência entre o socialismo e o evangelho. Você citou Atos 2:44-45 talvez para defender uma “igualdade social”, mas seria ela mais justa que o “mérito pessoal”? A injustiça está em nascermos com potencialidades diferentes? O capitalismo poderia ser mais justo se todo indivíduo nascesse já com o direito a algum capital, mas seria mais justo o socialismo usar a luta armada contra os “inimigos” capitalistas para promover um nivelamento social?

    (1) vejo com bons olhos a eficácia do comunismo na condução política, econômica, cultural e social das nações onde ele foi implantado

    Eu tenho dúvidas sobre essa eficácia, você depois citou os avanços científicos e tecnológicos de Cuba e da ex-URSS, a ausência de luxo e desperdício, a ausência de miséria, mas com quais informações (fatos reais) posso ter a mesma conclusão que você?

    PS: Mesmo lendo sua explicação em: “Resposta aos Críticos do meu Texto “Socialismo e Fé Cristã””, continuo sem entender porque usa argumentos ateístas como: “Deus matou milhões”.

    []’s

  3. Querido Eliel
    Agora sim entendi seu posicionamento, e concordo quando vc analisa o comunismo desprovido do que historicamente chamanos comunismo…O que vc ao final do texto define como IDEAL é o Cristianismo, ainda que hj em dia pouco exemplo pratico demos dessa pratica..Como ja te disse, o reino é tomado por esforço e penso que essa pratica ao invés de vir por modelo economico humano, deva vir de um coracao ( individual ) tocado pelo E.santo. Você nota no contexto do texto sagrado como Eles davam tudo, mas não tinham uma regra de dar tudo? Mas eles davam..Existem alguns que vão dizer que eles criam que Jesus voltaria naquela mesma semana, mas eu acho melhor entender que naquela comunidade primitiva existiam muitos necessitados . Uma comunidade que não supre seus necessitados precisa ser revista diante da palavra, se é que cremos na palavra. Eu sou contra posição política que mesmo com viés de justiça, ao ser praticada seja forçada ao povo, e com isso não me cheira bem o Comunismo humano. Se a utopia Crista de justiça é nosso modelo, então abracemos essa parada , constrangidos pelo amor de Jesus pelos pobres e oprimidos. Minha leitura do comunismo histórico não teve o mesmo trajeto que o seu, pois o meu foi analisado dentro do contexto do curso de geografia que é extremamente marxista e também hiper hipócrita, não se engane..Por isso Jesus falou tanto em amor, pq quem ama não fala, mas age, e quem age muda. Como Cristãos somos chamados ao amor, e o amor faz mudar…
    Quando vejo cristãos falando de comunismo talvez me soe que eles não entenderam que o comunismo com C maiúsculo seja Cristianismo e não o que marx com sua inteligência viu e escreveu, mas não praticou…..Aliás, se ter acesso a estudos, comida boa e roupa igual, assim como casa, resolvesse o problema do homem, Jesus não seria necessário..Jesus é necessário pq o problema do homem vai alem dessas coisas, que ele promete suprir, ainda que não na idéia moderna do que seja preciso para se viver( falo isso com temor ), pois tenho mais que preciso..
    O comunismo como é vendido pelos partidos de esquerda me soa como utopia do mais funcional que o sangue de jesus, e isso é nojento…Assim como a direita também me soa acomodando o homem a acreditar mais nele do que em Deus..
    Enfim, fico feliz por vc não se definir comunista e nem de direita. Penso que o cristão deve se render ao reino de verdade..Reino que por Jesus nos manda entregar tudo LUCAS 14:33, MARCO 8:34,36…Ao menos que entendamos isso, nossa ideologia será apenas som do Mundo e não Luz como Jesus nos mandou ser.

  4. Eliel, ainda estou por ler, mas me foi grandemente recomendado o livro Money, Greed, and God: Why Capitalism Is the Solution and Not the Problem by Jay W. Richards (Kindle Edition – May 5, 2009).

  5. Se você der uma olhada na filosofia do socialismo, o materialismo dialético, ela nega especificamente o idealismo, já que é uma, digamos, “filosofia da prática.” Entenda negar como “vou me concentrar no materialismo (leia-se eventos da natureza)” Apesar de Marx ser ateu (como eu), a filosofia não é necessariamente. Desagradou a Igreja pois ia de encontro à escolástica.

    Da mesma forma nega o mecanicismo (leia-se metafísica ou ontologia), que não observam que as coisas mudam. A naturaza não tem laboratório, nem sabe que separamos a física da biologia, ela produz seus efeitos independente da ciência.

    Karl Popper também ficava mordido. Para poder explicar o fato de que um elétron pode existir e deixar de existir (vide mecênica quântica), foi criado o princípio da incerteza, pelo qual pode-se afirmar categoricamente que não se sabe de algo. Daí o positivismo virou motivo de chatota para alguns.

    Tem um debate entre Popper e Adorno neste link:

    http://www.fundaj.gov.br/tpd/106.html

  6. Caro Eliel

    Os comunistas de hoje não se distanciaram do “Manifesto Comunista” de Marx e Engels, muito pelo contrário, ele pode ser encontrado nos sites dos partidos comunistas que visitei. Esse é o documento mais fundamental do comunismo e deve, portanto estar identificado com a sua definição.

    A base teóricas do Manifesto Comunista é o materialismo histórico dialético onde a história da humanidade é revista sobre a perspectiva da luta de classes num contexto profundamente materialista. Lembro que o materialismo é praticamente irmão do ateísmo.

    A religião é tratada no Manifesto Comunista como um instrumento de dominação da classe trabalhadora sendo uma das instituições que devem ser extintas pela revolução.
    Portanto, o comunismo é ateu por natureza. Um cristão só poderia ser comunista se o comunismo fosse completamente redefinido, se fosse desvinculado do Manifesto Comunista e do próprio materialismo que o embasou. Mas não é justo ficar redefinindo as coisas de acordo com a conveniência.

    Além disso, têm as questões humanitárias, os massacres e as perseguições impostas pelos diversos regimes comunistas em todo o mundo. Regimes esses, que não admitem seus erros nem repararam ou pelo menos deram um tratamento histórico justo a suas vítimas, como as massacres ocorridos na, Republica Theca e Ucrânia e outras nações anexadas a antiga URSS. Todos os regimes comunistas tiveram graves problemas humanitários. Só por uma questão de definição chamo de regimes comunistas aqueles que são governados pelo único partido existente no país, o Partido Comunista.

    Quanto à questão dos “crimes do capitalismo” eu posso argumentar sobre isso em outra oportunidade, mas por uma questão de brevidade vou apenas afirmar que não podem ser comparados aos do regime comunista, pois os do regime comunista foram realizados de forma direta e intencional.

    Também não sou a favor do liberalismo econômico como no modelo americano, pois acho-o extremamente desumano, nem sou a favor identificação do cristianismo com a direita de forma automática como muitos tem tentado demonstrar recentemente. Sou cristão e sou a favor dos modelos sociais democratas como na Suíça, Noruega e Europa em geral.

    Por fim, gostaria de dizer que admiro muito teu trabalho no blog e que seria uma honra para mim se você respondesse meu comentário.

    Um abraço

    Tharcio

  7. Eliel,
    Ótimo texto. Você foi muito feliz quando disse:

    ” Outro argumento era que o comunismo era injusto, pois não privilegiava o trabalho de quem se esforçava mais. Mas após refletir um pouco eu pude perceber que, na verdade, o inverso é verdadeiro. É no capitalismo que acontece das pessoas que trabalham mais receberem menos e das pessoas que (literalmente) não fazem nada deterem a maior parte das riquezas do mundo”.

    Perfeito, Karl Marx fala muito bem sobre este assunto na sua obra clássica, O Capital, Cap. VII, tema “mais-valia”. Durante muito tempo o setor empresarial lucrou com o trabalho excedente dos funcionários. Não resta dúvidas que as criticas de Marx feitas ao capitalismo foram muito importantes, principalmente para aquele momento histórico. Tenho para mim que a classe trabalhadora de alguns países da Europa (Suiça, por exemplo) se hoje estão vivendo em uma situação privilegiada, a isto eles devem agradecer as criticas que Marx feitas no passado. Após Marx a Europa não foi mais a mesma- ao longos anos muitas lutas foram travadas tanto na Alemanha quanto na Suiça pela classe proletária. Uma pena que esses privilégios ainda não chegaram aqui na América Latina.
    Com isso quero dizer que, o Capitalismo foi e é perverso em alguns lugares, mas não podemos dizer que é uma regra geral. O capitalismo ainda é um objeto a ser estudado.

    Você disse:

    “Outro argumento que tinha era que o comunismo não proporcionava avanço científico e tecnológico, mas a Cuba atual e a ex-URSS são contra exemplos deste fraco argumento”.

    Bem, eu gostaria de saber quais foram os avanços tecnológicos que a ex-URSS promoveu para o mundo. Também gostaria de saber quais foram os avanços científicos que Cuba desenvolveu. Muito se fala que Cuba é um dos países que mais investe na área da Medicina. Contudo, tenho testemunhas que não confirmam isso. O Economista Rodrigo Constantino faz até uma pergunta interessante sobre este suposto “mito”. Assim ele disse:” Se Cuba é o que tanto falam na área da medicina, quem são esses cientistas cubanos? Alguém já os viram?”.
    Bem, é isso, acho que devemos repensar sobre o caso Cuba. A questão do embargo econômico não justifica, pelo menos não para mim.

    Você disse:

    “Outro argumento era que as pessoas passavam fome nos países comunistas até perceber que, na verdade, o que não há nestes países é um contraste gritante entre luxo e miséria. Não há luxo e desperdício, as coisas são realmente difíceis, mas também não há pessoas agonizando de fome nas ruas. Ao passo que o capitalismo permite que famílias ricas esbanjem e desperdicem alimentos enquanto outras lutam para encontrar alimentos no lixo (não estou falando de África, mas de São Paulo, Belo Horizonte ou qualquer cidade grande no Brasil)”.

    Correto, concordo com você em parte. É um erro pensar que nos países comunistas as pessoas não passavam fome. Passavam sim senhor. Tenho pessoas próximas em minha família que testemunharam esse horror do que é o comunismo. Pergunte para elas, assim você terá uma ideia. Calma, não estou dizendo que o capitalismo é perfeito. Não, definitivamente não é, e sobre isso você já explicou muito bem. Só quem viveu na Romênia nos tempos de comunismo é que sabe do que estou falando. O mesmo ocorreu na antiga URSS. Muitas pessoas passavam fome sim senhor. Na Cuba atual isso é uma realidade. Portanto não acredite nos que esses jornais andam dizendo por aí. Ano passado fomos a Cuba – e eu vi o que é Cuba. Do alto Cuba parece um País em Guerra. De perto, Cuba parece um país devastado. Muitas pessoas pelas ruas, muita pobreza, muita miséria.
    Repito: o capitalismo não é perfeito, há muita miséria. Agora, pensar que o Comunismo não foi tão ruim assim, aí já é demais amigo. Só quem pode dizer isso é quem testemunhou o horror do comunismo. Sugiro que você assista o depoimento do ex-agente da KGB Yuri Alexandrovitch Bezmenov, cujo titulo é : “Subversão Soviética da Imprensa do Mundo Livre”. Segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=aZ1yoKcaAT0&feature=related

    Fora isso, no mais, concordo com você nas demais considerações. Particularmente gosto da proposta da Teologia da Libertação, muito embora, não concorde com os teólogos da Libertação em tudo. Mas, ainda assim, acho que a TL é uma das poucas Teologias que consegue chegar próximo da proposta de Jesus Cristo.
    É isso, forte abraço

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