Jornada do Ateísmo à Crença: Entrevista com Antony Flew

[Versão completa desta entrevista em versão PDF: Scribd.
Tradução:
Eliel Vieira]

Antony Flew e Gary Habermas se encontraram pela primeira vez em Fevereiro de 1985 em Dallas, Texas. O encontro se tratava de uma série de debates entre teístas e ateístas, envolvendo muitos filósofos, cientistas e acadêmicos de influência.

Algum tempo depois, em Maio de 1985, Flew e Habermas participaram de outro debate, desta vez na Liberty University, diante de uma grande platéia. O tema do debate era a ressurreição de Jesus. Embora Flew fosse indiscutivelmente o filósofo ateu mais famoso do mundo na época, ele curiosamente recebeu a distinção de ser o filósofo a mais comentar sobre a questão dos milagres. Habermas se especializou sobre o assunto da ressurreição de Jesus. Desta forma o diálogo sobre a evidência histórica para a afirmação central do cristianismo era um ponto em comum na pesquisa de ambos.

Durante os vinte anos seguintes Flew e Habermas desenvolveram uma amizade, escrevendo dúzias de cartas um ao outro, se falando frequentemente e novamente debatendo sobre a ressurreição. Em Abril de 2000 eles participaram de um debate ao vivo na Inspiration Television Network, moderado por John Ankerberg. Em Janeiro de 2003 eles novamente participaram de um debate sobre a ressurreição na California Polytecchnic State University – San Luis Obispo.

Clique aqui e compre o livro "Deus Existe", de Antony Flew

Então, um ano depois, em Janeiro de 2004, Flew falou a Habermas que ele de fato havia se tornado teísta. Embora ainda rejeitasse o conceito da revelação especial – fosse cristã, judaica ou islâmica – não obstante ele concluiu que o teísmo era verdadeiro. Nas palavras de Flew, ele simplesmente “seguiu as evidências para onde elas o levaram”. 

A entrevista seguinte aconteceu no início de 2004 e foi editada por ambos os participantes durante aquele ano. Esta discussão não-técnica procurou engajar Flew no curso de vários pontos que refletem seu movimento do ateísmo à crença. O principal objetivo não foi obter os detalhes de qualquer questão em particular, então nós contornamos várias avenidas que poderiam conduzir a conversa para outros rumos. Tampouco tentamos persuadir qualquer dos participantes a quaisquer posições alternativas.

Nosso único propósito foi explorar e reportar a nova posição de Flew, permitindo a ele explicar vários aspetos de sua jornada. Pensamos que isto por si só é um objetivo válido. Durante o caminho um benefício adicional emergiu, uma vez que Flew se recordou de vários momentos de sua infância graduação e carreira.

ENTREVISTA

HABERMAS: Tony, você recentemente me disse que passou a acreditar na existência de Deus. Você poderia comentar sobre isto?

FLEW: Bem, eu não acredito no Deus de nenhuma revelação especial, embora eu esteja aberto a esta possibilidade. Mas parece a mim que a defesa de um Deus Aristotélico que possua as características de poder e inteligência, é agora muito mais poderosa do que parecia ser antes. E foi de Aristóteles que São Tomas de Aquino buscou material para produzir suas Cinco Vias de, esperançosamente, provar a existência de seu Deus. Aquino pegou estas fontes, suficientemente racionais, para provar (se provam alguma coisa) a existência do Deus da revelação cristã. Mas o próprio Aristóteles nunca produziu uma definição para a palavra “Deus”, o que é um fato muito curioso. Mas este conceito ainda nos leva aos básicos elementos das Cinco Vias. Parece a mim que da existência do Deus de Aristóteles você não pode inferir nada sobre o comportamento humano. Assim, o que Aristóteles tinha a dizer sobre justiça (justiça, claro, como concebido pelos Pais Fundadores da república americana como oposição à “justiça social” de John Rawls) era uma idéia muito humana, e ele achava que esta idéia de justiça era que deveria governar o comportamento individual dos seres humanos em suas relações com os outros.

HABERMAS: Você uma vez me disse que sua visão poderia ser chamada “Deísmo”. Você acha que esta seria uma designação justa?

FLEW: Sim, absolutamente. O que deístas, como o Sr. Jefferson, que rascunhou a Declaração da Independência americana, acreditam é que, ao mesmo tempo em que a razão, principalmente na forma de argumentos do Design, nos assegura que Deus existe, também não há espaço para qualquer revelação sobrenatural ou transações entre este Deus e seres humanos.

HABERMAS: Sendo assim você poderia comentar sua “abertura” para a noção da revelação teísta?

FLEW: Sim. Eu estou aberto a esta possibilidade, mas sem entusiasmo para a potencial revelação de Deus. Do um lado positivo, por exemplo, eu estou muito impressionado com os comentários do físico Gerald Schoroeder sobre o primeiro capítulo de Gênesis. Se o relato bíblico puder ser cientificamente demonstrado, isto levanta a possibilidade de que se trata de uma revelação.

HABERMAS: Você muito gentilmente disse que nossos debates e discussões influenciaram sua mudança em direção ao teísmo. Você mencionou que esta influência inicial contribuiu em parte para seu argumento de que os esforços naturalistas nunca tiveram sucesso em produzir “uma conjectura plausível de como qualquer destas moléculas complexas puderam ter se envolvido sendo entidades simples”. Em sua recente nova introdução para a reedição do livro God and Philosophy [Deus e Filosofia], você disse que a versão original do livro encontrava-se obsoleta. Você menciona um número de pontos na argumentação teísta que você considera convincente, como a cosmologia e o Big Bang, o fino ajuste do universo e os argumentos a favor do Design Inteligente. Quais argumentos a favor da existência de Deus você considera mais persuasivos?

FLEW: Eu acho que os argumentos mais impressionantes para a existência de Deus são aqueles que são baseados em descobertas científicas recentes. Eu nunca fiquei muito impressionado pelo argumento cosmológico kalam, e não acho que ele tenha melhorado nem um pouco atualmente. Entretanto, eu acho que o argumento do Design Inteligente está incrivelmente mais forte do que ele estava quando o vi pela primeira vez.

HABERMAS: Então você prefere aqueles argumentos que procedem da cosmologia do Big Bang e do ajuste fino no universo?

FLEW: Sim.

HABERMAS: Você recentemente me disse que não considera o argumento moral muito persuasivo. Estou certo?

FLEW: Sim, está. Eu penso que para se ter um argumento moral forte, você tem que ter Deus como a justificação para a moralidade. Para isto você tem que considerar o bem moral uma questão puramente de prudência além de, como os filósofos morais de minha juventude chamavam, um bem em si mesmo. (Compare com a clássica discussão no diálogo Eutifron de Platão)

HABERMAS: O que me diz sobre o argumento de C. S. Lewis sobre a moralidade presente em Cristianismo Puro e Simples. Você o achou impressivo?

FLEW: Não, não achei. Talvez eu deva mencionar que, quando eu estava no colégio, eu participava frequentemente das reuniões semanais do clube socrático de C. S. Lewis. Durante todo meu tempo em Oxford estas reuniões eram presididas por Lewis. Eu acho que ele foi de longe o mais poderoso apologista cristão pelos sessenta ou mais anos seguintes à fundação do clube. Até o fim dos anos 70’ eu descobri que, nos Estados Unidos, em pelo menos metade das livrarias, nas universidades e nos colégios de arte liberal que visitei, existia ao menos uma longa prateleira devotada para seus vários livros publicados.

HABERMAS: Embora você discorde de Lewis, você o considera alguém racional?

FLEW: Ah sim, bastante. Um eminente homem racional.

HABERMAS: E o que você acha do argumento ontológico para a existência de Deus?

FLEW: Todo o meu pensamento e minhas palavras sobre filosofia foram grandemente influenciados pelos meus anos de pós-graduação sob a supervisão de Gilbert Ryle, o então professor de Metafísica da Universidade de Oxford, bem como editor da revista Mind [Mente]. Isto foi na época em que seu muito influente livro The Concept of Mind [O Conceito de Mente] foi publicado. Me disseram que nos anos que se passaram durante as guerras, sempre que alguma versão nova do argumento ontológico surgia, Gilbert imediatamente a refutava. Minha primeira falta de entusiasmo para com o argumento ontológico se deu na forma de repulsa, quando percebi (através da leitura de Theodicy [Teodicéia], de Leibniz) que o argumento era a identificação do conceito de Ser com o conceito de Bondade (o que no fim das contas deriva da identificação de Platão em A República da Forma ou idéia do Bem com a Forma ou a idéia do Real), o que habilitou Leibniz em sua Theodicy a concluir validamente que um universo no qual a maior parte dos seres humanos estão predestinados a uma eternidade de tortura é o “melhor dos mundos possíveis”.

HABERMAS: Então, de todos os argumentos teístas, tais como o cosmológico, o teleológico, o moral e o ontológico, os únicos que realmente te impressionaram são as formas científicas de teleologia?

FLEW: Absolutamente. Me parece que Richard Dawkins negligencia constantemente o fato de que o próprio Darwin, no décimo quarto capítulo de A Origem das Espécies, assinala que todo o seu argumento começa com um ser que já possui de antemão poderes reprodutivos. É sobre o surgimento de tal ser que uma teoria da evolução verdadeiramente compreensível deve nos dar uma explicação. O próprio Darwin estava bem ciente que ele não havia produzido tal explicação. Agora, me parece que as descobertas de mais de cinquenta anos de DNA proveram material para um novo e incrivelmente poderoso argumento para o Design.

HABERMAS: Se me lembro, você também se refere a isto na sua nova introdução ao seu livro God and Philosophy.

FLEW: Sim, eu me refiro a isto lá; ou, uma vez que o livro não foi publicado ainda, eu me referirei!

HABERMAS: Uma vez que você afirma o conceito aristotélico de Deus, você acha que podemos também afirmar as implicações de Aristóteles de que a Causa Primeira consequentemente conhece todas as coisas?

FLEW: Eu acredito que podemos dizer isto. Eu não estou nem um pouco certo sobre o que uma pessoa deva pensar referente a algumas destas questões fundamentais. Parece existir uma razão para a Causa Primeira, mas eu não estou certo sobre o quanto devemos explicar aqui. Qual idéia de Deus é necessária para prover uma explicação para a existência do universo e tudo que há nele?

HABERMAS: Se Deus é a Causa Primeira, o que me diz sobre a onisciência e a onipotência?

FLEW: Bem, a Causa Primeira, se existiu uma Causa Primeira, produziu muito claramente tudo o que está acontecendo. Eu suponho que isto implica criação “no princípio”.

HABERMAS: Nesta mesma introdução você faz uma comparação entre o Deus de Aristóteles e o Deus de Spinoza. Você está sugerindo, com alguns interpretes de Spinoza, que Deus é panteísta?

FLEW: Eu estou observando que God and Philosophy se posicionou fora do tempo e ele deve ser visto agora mais como um documento histórico do que como uma contribuição direta para as discussões correntes. Eu sou simpático com Spinoza porque ele fez algumas declarações que me parecem descrever corretamente a situação humana. Mas para mim a coisa mais importante sobre Spinoza não é o que ele diz, mas o que ele não diz. Ele não diz que Deus possui qualquer preferência sobre esta ou aquela intenção no que se refere ao comportamento humano ou sobre os destinos eternos dos seres humanos.

HABERMAS: Que papel seu amor pelos escritos de David Hume podem competir na discussão sobre a existência de Deus? Você teve algum novo insight sobre Hume, uma vez que agora você acredita em Deus?

FLEW: Não, não.

HABERMAS: Você acha que Hume alguma vez respondeu à questão sobre Deus?

FLEW: Eu penso nele como, vamos dizer, um não-crente. Mas é interessante notar que ele próprio estava perfeitamente disposto a aceitar uma estranha condição para sua nomeação, se ele tivesse sido nomeado, para uma cadeira de filosofia na Universidade de Edinburgh. Esta condição era, grosso modo, prover algum tipo de suporte e encorajamento para pessoas fazendo orações e executando outros atos de adoração. Eu acredito que Hume pensava que a instituição da crença religiosa poderia ser, e em seus dias era, socialmente benéfica.

Eu também, por ter crescido como um metodista, sempre estive ciente desta possibilidade e em várias oportunidades e locais vi o benefício da instrução religiosa objetiva. Já se passaram várias décadas desde a primeira vez que eu tentei chamar a atenção ao perigo de se confiar em um modesto ensino religioso obrigatório nas escolas para atender a necessidade de educação moral, especialmente em um período de declínio constante da crença religiosa. Mas todos estes avisos individuais eram, claro, ignorados. Então agora nós temos na Inglaterra uma situação na qual qualquer requisito obrigatório estabelecido para instrução dos alunos em escolas públicas no ensino de religiões é largamente ignorado. A única tentativa oficial de construir um substituto social foi viciada pela inabilidade do filósofo moral no relevante comitê do governo para reconhecer a diferença fundamental entre justiça sem qualquer prefixo ou sufixo e a “justiça social” do livro de John Rawls, A Theory of Justice.

Vou te enviar qualquer dia uma cópia do capítulo do livro que estou escrevendo (provavelmente meu último), no qual eu ofereço um sumário e um programa de estudos para uma educação moral em escolas seculares. Isto é relevante e importante para ambos os países, Estados Unidos e Reino Unido. Para os Estados Unidos, pois a Suprema Corte interpretou de forma completamente equivocada a cláusula da Constituição sobre a não-pressuposição da religião. Interpretou equivocadamente ao impor proibição a qualquer referência sobre religião. No Reino Unido qualquer programa efetivo de educação moral tem de ser secular porque a descrença está bem difundida atualmente.

HABERMAS: Em God and Philosophy, e nas várias outras vezes que conversamos, eu percebi que sua motivação primária para rejeitar os argumentos teístas era o Problema do Mal. Nos termos de sua nova crença em Deus agora, como você conceitualiza a relação de Deus com a realidade do mal no mundo?

FLEW: Bem, à parte de alguma revelação, por que nós deveríamos perceber qualquer coisa como objetivamente má? O problema do mal é um problema apenas para os cristãos. Para os mulçumanos, qualquer coisa que os seres humanos percebam como má, assim como qualquer coisa que percebamos com bem, tem de ser obedientemente aceitados como ações produzidas pela vontade de Allah. Eu admito a hipótese de que no momento (aos 15 anos de idade) em que ficou claro para mim que a tese do universo criado e sustentado por um Ser de poder e bondade infinitos é infinitamente incompatível com a ocorrência de inegáveis males em massa neste universo – acredito que neste momento eu dei o primeiro passo rumo à minha futura carreira como filósofo! Obviamente, foi apenas muito depois que eu aprendi sobre a identificação filosófica da bondade com a existência!

HABERMAS: Em sua visão, portanto, Deus não fez nada em relação ao mal.

FLEW: Absolutamente nada. Nada além de ter produzido muito dele.

HABERMAS: A partir de sua concepção de teísmo, o que me diz sobre a controvérsia mente-corpo?

FLEW: Eu acho que aqueles que querem falar sobre uma vida após a morte precisam encarar a dificuldade que existe em formular um conceito de personalidade incorporal. Aqui eu tenho que me referir novamente aos meus anos como um graduando, supervisionado por Gilbert Ryle, no ano em que ele publicou The Concept of Mind. Durante este tempo havia muitos comentários, geralmente hostis, na imprensa britânica sobre o que chamavam de “Filosofia Linguística de Oxford”. A objeção geralmente era que estas questões constituiam uma trivialização de uma profunda e importante disciplina.

Desta forma eu me senti impelido a falar no clube dos pós-graduados em filosofia sob o tema
“Matéria que Importa”. Neste discurso eu argumentei que na medida em que a linguística ignorou o que Immanuel Kant descreveu como os três grandes problemas dos filósofos – Deus, Liberdade e Imortalidade –, ela conseguiu promissoras e substanciais abordagens sobre estes problemas.

Eu mesmo sempre me tencionei a trazer contribuições em todas estas três áreas. Na verdade, meu primeiro livro filosófico publicado foi relevante aos três pontos. Não muito tempo depois eu consegui meu primeiro emprego como filósofo profissional e confessei a Ryle que se eu fosse alguma vez convidado a escrever para a Gifford Lectures eu escreveria um artigo com o título de The Logic of Mortality [A Lógica da Mortalidade]. Tratou-se de um extensivo argumento cuja conclusão era de que era simplesmente impossível se criar um conceito sobre um espírito incorpóreo.

HABERMAS: Este conceito de ser incorpóreo é exigido para a noção de uma vida após a morte?

FLEW: O dicionário do Dr. Johnson define morte como o momento em que a alma abandona o corpo. Se a alma for, como o Dr. Johnson e quase todos atualmente acreditam ser, algo sobre o qual podemos dizer que deixa sua presente residência e se direciona ou vai à força morar em outro lugar, então a alma deve ser, em um sentido filosófico, uma substância além de simplesmente uma característica ou qualquer coisa.

Meu texto para a Gifford Lectures foi publicado depois que Richard Swinburne publicou o seu, sobre The Evolution of the Soul [A evolução da Alma]. Quando o meu texto estava sendo reimpresso sob o título Merely Mortal? Can You Survive Your Own Death? [Simples Mortal? Você Consegue Sobreviver à Sua Própria Morte?] eu estava pronto para responder a qualquer crítica que Swinburne fizesse sobre minhas publicações anteriores na mesma área. Mas a verdade embaraçosa é que ele não encontrou nenhum escrito relevante de minha parte ou de qualquer outro desde a II Guerra Mundial. Não ajudaria muito procurar por livros ou artigos anteriores à data que Swinburne e eu escrevemos para a Gifford Lectures para tratar da questão de uma vida futura pelos sessenta anos anteriores. Mais impressionante ainda, Swinburne em seu texto para a Gifford Lectures ignorou a decisiva observação do Bispo Butler: “A memória pode revelar, mas não constitui identidade pessoal”.

HABERMAS: Em algumas oportunidades você e eu conversamos sobre experiências de quase-morte, especialmente sobre aqueles em que as pessoas que as relataram se encontravam verificavelmente bem distantes de nós. Algumas vezes estes relatos até ocorrem com a ausência de batimentos cardíacos ou ondas cerebrais. Depois de nossa segunda conversa você me escreveu uma carta dizendo, “Eu considero estes relatos de experiências de quase-morte muito desafiadores… esta evidência certamente enfraquece, se não refuta totalmente, o meu argumento contra as doutrinas de uma vida futura…”. À luz destas evidências de experiências de quase-morte, o que você pensa sobre a possibilidade de uma vida após a morte, especialmente dado o seu teísmo?

FLEW: Um ser incorpóreo pode ser suposto. Pode se supor que ele possua uma memória. Mas antes que possamos confiar em sua memória ou até mesmo em suas próprias experiências nós devemos explicar como este suposto ser incorpóreo pode ser identificado em primeiro lugar e então – depois do que os advogados chamam de concorrência de tempo – como ele pode se reidentificado por ele mesmo como um e mesmo ser individual espiritual. Até que tenhamos evidência de que aquilo que tem sido presumivelmente – como Dr. Johnson e muitos outros menos importantes acreditaram – identificado como espíritos incorpóreos eu não vejo porque experiências de quase-morte devam ser tomadas como forte evidência para a conclusão de que seres humanos desfrutarão de uma vida futura – ou mais provavelmente se alguma das duas grandes religiões for verdadeira – sofrer tormento eterno.

HABERMAS: Eu concordo que as experiências de quase-morte não constituem evidência para as doutrinas de céu ou inferno. Mas você acha que estes casos evidenciados aumentam a possibilidade de algum tipo de vida após a morte, novamente, dado o seu teísmo?

FLEW: Eu ainda espero e acredito que não existam possibilidades de uma vida após a morte.

HABERMAS: Mesmo que você deseje que não exista vida após a morte, o que você acha das evidências que podem existir, como porventura indicadas por estes casos de experiências de quase-morte? E mesmo que não haja uma noção clara de que tipo de corpo pode ser implicado aqui, você considera esta evidência útil de alguma forma? Em outras palavras, aparte da forma que uma vida após a morte possa ter, você ainda considera estas experiências evidentes para alguma coisa?

FLEW: É complicado oferecer uma interpretação para estas experiências. Mas eu presumo que elas devem ser tomadas como percepções extrasensoriais da pessoa de carne e sangue, que é o sujeito das experiências em questão. O que não pode ser é a hipótese do espírito incorpóreo que você desejaria identificar com a pessoa que chegou perto da morte, mas que na verdade não morreu. Pois não se pode supor deste conceito de espírito incorpóreo que ele tenha dado sentido até que, e a não ser que, em primeiro lugar, alguns meios sejam providos para identificar tais espíritos, e reidentificá-los como um e mesmo indivíduo incorpóreo após o conjunto do tempo. Até que, e a não ser que, isto seja feito, nós sempre deveremos nos lembrar da objeção do Bispo Butler: “A memória pode revelar, mas não pode constituir identidade pessoal”. Talvez eu deva frisar aqui que muito antes de eu cursar minha primeira graduação em filosofia eu já era muito interessado no que no Reino Unido, onde isto começou, ainda seja chamado de pesquisa psíquica, embora o termo “parapsicologia” esteja agora sendo usada em todo lugar. Talvez eu deva confessar aqui que meu primeiro livro era toscamente intitulado A New Approach to Psychical Research [Uma Nova Abordagem da Pesquisa Psíquica] e meu interesse neste assunto continuou por muitos anos seguintes.

HABERMAS: Na verdade você também me escreveu que estas experiências de quase-morte “certamente constituem uma evidência incrível para a possibilidade de ocorrência de consciência humana independente de qualquer ocorrência no cérebro”

FLEW: Quando eu comecei a considerar o que me pareciam ser as mais impressionantes destes casos de experiência de quase-morte eu me perguntei qual era a primeira pergunta tradicional para fazer sobre fenômenos “físicos”, que é, “Quando, onde, e por quem estes fenômenos foram reportados?”. Algumas pessoas parecem confundir experiências de quase-morte com experiências de pós-morte. Qualquer experiência de quase morte se tornará relevante para a questão de uma vida futura apenas quando ela mostrar “a ocorrência de consciência humana independente de quaisquer ocorrências cerebrais”.

HABERMAS: Novamente, você gentilmente observou minha influência em seu pensamento aqui, tratando estes dados como sendo evidências dignas de consciência humana independente de “impulsos elétricos cerebrais”. Se algumas experiências de quase-morte forem reais, experiências que independentemente confirmadas durante um estado de quase morte, até mesmo em pessoas nas quais o cérebro ou o coração poderiam não estar funcionando, não seria isto uma evidência bastante impressionante? As experiências de quase morte são, assim, a melhor evidência para uma vida após a morte?

FLEW: Ah sim, certamente. Elas são basicamente o único indício existente.

HABERMAS: Que avaliação crítica você faria das três religiões monoteístas? Existe algum ponto filosófico forte ou fraco no Cristianismo, Judaísmo e Islamismo?

FLEW: Se tudo o que eu sei ou acredito sobre Deus vem do que eu aprendi de Aristóteles, então eu devo assumir que tudo no universo, incluindo a conduta humana, é exatamente o que Deus quis que fosse. E este é inclusive o caso, já que tanto Cristianismo e Islamismo pregam a predestinação – uma doutrina fundamental para ambos os sistemas religiosos. O que era verdade para o Cristianismo na Idade Média certamente não é mais igualmente verdade depois da Reforma. Mas o Islamismo não tem tristeza ou alegria, nem uma Reforma ou Iluminação. Na Summa Theologiae podemos ler:

Como os homens estão ordenados à vida eterna através da providência de Deus, do mesmo modo é parte desta providência a permissão de alguns se afastarem deste fim, isto é chamado “reprovação”… A Reprovação implica não apenas presciência de Deus, mas algo mais…

O que e quanto é este “algo mais” a Summa contra Gentiles deixa claro:

… como Deus não apenas dá o ser às coisas quando elas tomam a existência, mas também – como a Causa conservadora do ser – é a Causa de ser das coisas por quanto tempo elas durarem… Cada operação, portanto, ou qualquer coisa é traçado até Ele como Sua causa.

Aquino, entretanto, é sempre o cego devoto complacente. Ele não vê problema algum de justiça em penalidades infinitas para ofensas temporais e finitas, nem nas aflições que as criaturas sofrerão por ofensas que eles livremente escolheram cometer por desígnio do seu Criador. Sendo assim, Aquino nos assegura que:

A fim de que a liberdade dos santos seja mais deliciosa a eles e que eles possam render gratidão maior a Deus… será permitido a eles ver perfeitamente o sofrimento dos condenados… A Justiça Divina e a entrega pessoal deles será a causa direta da alegria da benção, enquanto a dor dos condenados causará isto indiretamente… os abençoados na Glória não terão piedade alguma dos condenados.

As declarações sobre a predestinação no Alcorão são muito mais agressivas e inequívocas do que as mais fortes da Bíblia. Compare a passagem a seguir do Alcorão com Romanos 9.

Para os incrédulos, tanto faz se eles foram avisados ou não. Eles não crêem.

Deus colocou um selo no coração deles e nos seus ouvidos. E nos olhos uma faixa. E um castigo impiedoso espera por eles.

No Reino Unido a doutrina do inferno tem sido progressivamente desenfatizada até 1995 quando ela foi explicita e categoricamente abandonada pela Igreja da Inglaterra. Parece que a Igreja Católica Romana não abandonou ainda nem a doutrina do inferno nem a doutrina da predestinação.

Thomas Hobbes gastou uma grande parte dos 50 anos entre a primeira publicação da versão King James da Bíblia e a primeira publicação de seu livro Leviathan na crítica bíblica. Eu cito uma descoberta muito relevante dele:

Como foi dito antes em vários lugares [que os iníquos] serão lançados no fogo eterno; e que os vermes da consciência nunca morrem; e que tudo isto é compreendido na expressão “morte eterna”, que é ordinariamente interpretada como “vida eterna de tormentos”. E embora eu não consiga achar em lugar nenhum que o homem viverá eternamente em tormentos, também parece difícil dizer que Deus, que é o pai das misericórdias; que faz o que lhe apraz no céu e na terra, que tem o coração dos homens ao seu dispor; que trabalhou no homem o fazer e o querer; e que sem este presente gratuito o homem não teria inclinação para o bem, nem arrependimento do mal; é difícil dizer que este Deus punirá as transgressões do homem sem nunca parar, com toda extremidade de tortura, que o homem jamais pôde imaginar.

Para o Islamismo isto é, eu penso, melhor descrito na forma marxista como a união e a justificação ideológica do imperialismo árabe. Entre o Novo Testamento e o Alcorão não existe (como é costume dizer quando fazemos tais comparações) comparação. Enquanto a leitura da Bíblia encontra mercado na literatura, ler o Alcorão é mais uma penitência do que um prazer. Não existe ordem ou desenvolvimento em seu corpo. Todos os capítulos (as suras) são organizados conforme a sua extensão, com os mais longos no começo. Entretanto, uma vez que o Alcorão consiste em uma coleção de partes da revelação putativa entregada ao profeta Maomé pelo Arcanjo Gabriel em árabe clássico em ocasiões diversas e desconhecidas, é difícil sugerir qualquer princípio superior de organização. Um ponto sobre a edição do Alcorão raramente é citado, embora ele pareça ter um significado teológico substancial. Todas as suras são prefaciadas com as palavras “Em nome de Deus, o Misericordioso, o Compassivo”. Ainda assim existem referências ao inferno em pelo menos 255 das 669 páginas na versão Arberry do Alcorão e muitas páginas possuam duas referências sobre este lugar.

Enquanto São Paulo, que foi quem mais contribuiu no Novo Testamento, conhecia todas as três línguas relevantes do mundo na época e obviamente possuía uma mente filosófica de primeira classe, o Profeta, embora tenha sido presenteado com a arte da persuasão e fosse um considerável líder militar, não era suficientemente alfabetizado e com certeza era mal informado, se não foi o mais desinformado de todos os profetas contemporâneos, sobre o conteúdo do Velho Testamento e sobre muitos assuntos de que Deus teve ter sido consciente. Isto levanta a possibilidade do que os filósofos dos meus dias no apogeu de Gilbert Ryle teriam descrito como a falsificação definitiva do Islamismo: algo que certamente não é possível de ser verdadeiro, dado o Cristianismo. Se eventualmente eu produzir este argumento, ele obviamente terá de ser publicado anonimamente.

HABERMAS: O que você pensa sobre a Bíblia?

FLEW: A Bíblia é um trabalho que qualquer pessoa que não tiver a menor restrição sobre a questão da veracidade ou falsidade da religião cristã pode ler da mesma forma como as pessoas lêem romances dos maiores escritores. É um livro de leitura incrível.

HABERMAS: Você e eu tivemos três debates sobre a ressurreição de Jesus. Você está de alguma forma mais próximo de acreditar que a ressurreição foi um evento histórico?

FLEW: Não, eu acho que não. A evidência para a ressurreição é melhor do que os milagres reivindicados por qualquer outra religião. A ressurreição é extraordinariamente diferente em qualidade e quantidade, eu acho, da evidência oferecida para a ocorrência de muitos outros supostos milagres. Mas você deve lembrar que eu abordei isto depois de uma considerável leitura de relatos de pesquisa psíquica e suas críticas. Ela me mostrou como evidências imediatas de supostos milagres incríveis podem ser desacreditadas.

O que os pesquisadores psíquicos procuram é evidência de testemunhas oculares de supostos eventos paranormais, registrados tão logo possível após sua ocorrência. O que não temos é evidência de qualquer um que estivesse em Jerusalém naquele tempo, que tenha testemunhado algum destes eventos miraculosos, e que tenha registrado testemunho imediatamente após sua ocorrência. Nos anos 50 e 60 eu ouvi diversas sugestões de vários jovens filósofos australianos e americanos sobre a concepção de milagres. Ninguém poderia relevar ou negar uma real ocorrência de milagres, eles alegaram. Se Deus quer ser reconhecido, eles perguntaram, por que Deus não produz um milagre desta magnitude?

HABERMAS: Então você pensa que, para um milagre, a evidência para a ressurreição de Jesus é melhor do que outras reivindicações milagrosas?

FLEW: Ah sim, claro. É muito melhor, por exemplo, do que para a maioria, por assim dizer, do moinho de milagres da Igreja Católica Romana. Sobre isto ver, por exemplo, D. J. West.

HABERMAS: Você fez muitos comentários ao longo dos anos de que os cristãos estão justificados em suas crenças como a ressurreição de Jesus ou outros pontos de sua fé. Em nossos últimos dois debates eu acho que você até mencionou que para alguém que já é cristão existem muitas boas razões para acreditar na ressurreição de Jesus. Poderia comentar isto?

FLEW: Sim, claro. Esta é uma questão importante sobre racionalidade que eu recentemente comecei a prezar. O que é racional para qualquer indivíduo acreditar sobre algum assunto depende do que ele ou ela acreditava racionalmente antes de confrontar esta nova situação. Supondo que alguém racionalmente acreditava na existência de Deus de qualquer revelação, então este será inteiramente racional a este enxergar o argumento do ajuste fino do universo como uma confirmação substancial da sua crença na existência deste Deus.

HABERMAS: Você me disse que você possui um grande apreço por John e Charles Wesley e suas tradições. O que conta para este apreço?

FLEW: O mais importante de tudo é a tremenda realização deles de criar o movimento metodista, principalmente nas salas de aula. O metodismo tornou impossível a construção de um partido comunista substancial na Grã-Bretanha e proveu o país de um generoso contingente de homens e mulheres de caráter moral autêntico de várias famílias trabalhistas. Seu declínio é uma parte substancial da explosão do número de gravidezes não desejadas e da criminalidade nas décadas recentes. Também contribui para este apreço a tremenda determinação demonstrada por John Wesley em investir muitos anos caminhando por vários quilômetros e pregando mais de sete sermões por semana, etc. Apenas recentemente eu fiquei conhecendo a grande controvérsia de Wesley contra a predestinação, a favor da alternativa arminiana. Certamente John Wesley é um dos grandes filhos que este país já teve. Destes outros grandes filhos, alguns cresceram em um lar metodista com um pai que era pregador local.

HABERMAS: Você não atribui alguns de seus elogios aos wesleyanos ao fato do ministério do seu pai? Você não disse uma vez que seu pai foi o primeiro não-anglicano a conseguir um doutorado em Teologia na Universidade de Oxford?

FLEW: Sim para as duas questões. Claro que meus elogios se dão por causa do background metodista de minha família. Sim, meu pai também foi presidente da Conferência Metodista durante um ano e ele era o representante metodista de outras duas organizações. Ele também se mostrava preocupado com o Conselho Mundial de Igrejas. Se meu pai tivesse vivo e ativo no início dos anos 70’, ele certamente teria ao menos considerado a questão se a Igreja Metodista deveria ou não se afastar do Conselho Mundial de Igrejas. Este Conselho foi, aparentemente, tomado por agentes da URSS.

HABERMAS: O que você acha que Bertrand Russell, J. L. Mackie, e A. J. Ayer teriam falado sobre os desenvolvimentos teístas, se estivessem vivos hoje?

FLEW: Eu acho que Russell certamente iria considerar estas coisas. Eu tenho certeza que Mackie se interessaria também. Eu nunca conheci Ayer muito bem – apenas o encontrei uma vez ou outra.

HABERMAS: Você acha que algum deles teria ficado impressionado em direção ao teísmo? Estou pensando aqui, por exemplo, sobre os famosos comentários de Russell sobre Deus não ter produzido evidências suficientes de Sua existência.

FLEW: Coerente com os comentários que você mencionou, Russell teria considerado estes desenvolvimentos teístas como evidência a ser analisada. Eu acho que nós podemos ter certeza que Russell ficaria impressionado também, à luz destes comentários que você citou. Estes desenvolvimentos produziriam um segundo diálogo interessante entre ele e aquele notável filósofo católico, Frederick Copleston.

HABERMAS: Nos últimos anos você tem sido chamado de “o mais influente filósofo ateu do mundo”. Você acha que Russell, Mackie ou Ayer ficariam incomodados ou até mesmo enraivecidos com sua conversão ao teísmo? Ou você acha que eles ao menos entenderiam suas razões para mudar de idéia?

FLEW: Eu não estou certo o quanto eles conheciam sobre Aristóteles. Mas eu estou quase certo que eles nunca consideraram a idéia de um Deus que não fosse o Deus de alguma revelação religiosa. Mas nós podemos ter certeza que eles examinariam estes novos argumentos científicos.

HABERMAS: C. S. Lewis explicou em sua autobiografia que ele primeiro saiu do ateísmo para o teísmo, e apenas depois partiu do teísmo para o Cristianismo. Dado o grande respeito que você tem pelo Cristianismo, você acha que existe alguma chance de, no fim das contas, se tornar cristão?

FLEW: Eu acho que isto é muito improvável, por causa do Problema do Mal. Mas, se isto acontecesse, eu acho que seria de alguma forma excêntrica e duvidosamente ortodoxa: prática religiosa regular talvez, mas sem crença. Se eu desejasse alguma forma de vida futura eu deveria me tornar um Testemunha de Jeová. Mas sobre algumas coisas eu estou completamente certo. Eu nunca consideraria o Islamismo de outra forma a não ser horror e medo, porque ele está fundamentalmente compromissado com a conquista do mundo para o Islã. Isto porque toda Palestina foi parte da terra islâmica na qual os exércitos árabes mulçumanos entraram para tentar destruir Israel em seu nascimento, e porque a luta pelo retorno dos refugiados que sobreviveram e seus numerosos descendentes continua até hoje.

HABERMAS: Eu faço esta última pergunta com um sorriso, Tony. Mas, apenas pense, o que aconteceria se algum dia você se dispusesse abertamente para a fé cristã e a ressurreição de Jesus parecesse real para você?

FLEW: Bem, o que eu vou dizer sobre esta conjectura é que, graças a Deus, Jesus é uma figura enormemente carismática e atrativa, o que não é o caso do Profeta do Islamismo.

Tradução: Eliel Vieira

Anúncios

4 Respostas para “Jornada do Ateísmo à Crença: Entrevista com Antony Flew

  1. Eliel, agora explique para nós de que forma um cristão está justificado em tomar atributos da mente humana, como moralidade, planejamento, inteligência e capacidade criativa, e atribuir a uma entidade sobrenatural.Explique por que foi que em quase um ano de contato com este ateu que vos fala, você ignorou este argumento meu, que sempre foi o principal.Explique por que devemos acreditar em seu deus inteligente, moral, planejador, quando estes atributos mentais humanos se encaixam perfeitamente numa exposição naturalista da origem contingente da mente humana a partir de cérebros primatas ancestrais.Explique por que evita tocar no assunto criacionismo, que eu já tratei extensamente, inclusive em sua forma diluída do Design Inteligente, devidamente refutada pela biologia evolutiva moderna.Seu silêncio é bastante revelador.E explique por que vem com uma tradução de um texto de 2004, depois de ter lido a reportagem do New York Times de 2007 e ter produzido um texto de CETICISMO SELETIVO sobre ela, que 'coincidentemente' vem para amparar sua fé de que Antony Flew gozou de plenos poderes mentais ao se "converter" a um deísmo mal argumentado e ligado a argumentações CRIACIONISTAS.Já começaste a apagar meus comentários por aqui? Já vi que não publicou o meu "tchau" no último texto aqui em que cita meu nome.Eis os links que você não quer ver nem pintados de ouro:http://bulevoador.haaan.com/2010/04/16/como-explorar-um-filosofo-senil/http://bulevoador.haaan.com/2010/03/26/opinioes-mentes-e-peixes/http://www.elivieira.com/2010/05/um-tchau-para-eliel-vieira.htmlUm dia quem sabe revogarei meu "tchau", publicarei uma resposta à sua "tetráplica", e quem sabe voltarei a debater contigo.Mas isso está condicionado à sua mudança de atitude de PREGADOR para ARGUMENTADOR, que eu não vi até agora.P.S.: Eu pedi antes para mostrar como a nova posição de Antony Flew se seguiria logicamente da obra ateia dele acumulada até 2004. Este texto já começa confessando que é não-técnico. É, portanto, outra obra de propaganda, e não de filosofia.

  2. Eli, Por partes:1 – Eu publiquei todos os comentários feitos por você em razão do seu “Tchau”, que foram nesta e nesta postagem. Se não viste (comentário número 3 para o primeiro caso e comentário número 5 para o segundo), acho bom aumentar os graus de seus óculos. “Apagar comentários” críticos é coisa do Bule Voador, minha política é aceitar todos.2 – No comentário que eu deixei na postagem despretensiosa “Google Acaba com Richard Dawkins!”, eu deixei muito claro a você que, (i) “serei educado e responderei a cada micro acusação feita por você”, (ii) “buscarei responder aos ‘argumentos’ que você citou”. Portanto, ao ver seu “Tchau”, que curiosamente ignorou minhas afirmativas de que responderia às suas acusações e aos seus argumentos, e ainda me atacou gratuitamente com “Eliel é igual Malafaia… bla bla bla”, eu levei esse “Tchau” a sério e sinceramente não pretendia mais ter responder. 3 – Você demorou 51 semanas para me dizer “não vou te dar uma resposta” apenas porque você fez dezenas de perguntas e exigiu resposta a elas em uma semana. Como todo bom ateu, você adora fazer perguntas e é tardio em dar respostas. OK!, eu compreendo isto. Mas eu deixei bastante claro que “De segunda a sexta minha rotina é sair de casa às 6:30hrs e chegar às 00:10hrs” e que por isso ia demorar um pouco para lhe responder sobre a questão do DI e sobre seu “argumento” que você chama de “o principal“.

  3. 4 – Curiosamente, Eli, (e eu estou quase certo disto) a primeira vez que você levantou a mim este “argumento de contingência” de forma direta e inequívoca foi dia 10 de Maio de 2010, no comentário à postagem Google Acaba com Richard Dawkins!”. De fato você o trouxe a tona na sua Tréplica a mim, é verdade, eu até ignorei isto até hoje quando abri o texto para lê-lo novamente. Contudo, se bem me recordo, há alguns meses atrás você me enviou uma mensagem no Orkut da seguinte forma, “Apenas hoje pude ler sua Tetráplica. Você levantou pontos interessantes. Vou escrever minha ‘pentáplica’ em breve”. Isto mostra que sua justificativa esfarrapada para não me escrever uma resposta (51 semanas depois) foi inventada na hora. Até algum tempo atrás (ou você mentiu) você estava considerando me escrever. Ademais, se uma resposta a este argumento é tão importante, bastava a você me responder e contra-argumentar apresentando seu “argumento”, então eu seria forçado em minha próxima resposta a você a lidar com seu “argumento”. Mesmo assim, nada justifica sua raivinha no “Tchau”, pois dias antes eu afirmei que responderia ao seu argumento.5 – Sobre eu “evitar” tocar no assunto “criacionismo”. Primeiro, existem pessoas mais inteligentes e preparadas (inclusive ateus) do que eu para comentar sobre o assunto, então, entre o “achismo” e o “não comentar”, prefiro não comentar, especialmente porque penso que o fator “evolução” pouco afeta a racionalidade da crença em Deus. Segundo, você ou qualquer pessoa jamais me pediu para eu comentar sobre isto (você pediu recentemente, eu prometi responder-lhe, mas sem conseguir esperar uma resposta, deu “Tchau”). Eu não tenho interesse grandioso em comentar sobre isto, ou fazer deste ponto o objetivo dos meus estudos no momento como muitos fazem, mas comentaria sobre o DI se alguém me pedisse para comentar (é o que faria, mas você se precipitou e me deu aquele “Tchau”).6 – Por que eu venho com uma tradução com um texto de 2004 sobre Antony Flew? Primeiro, acredite você ou não, eu comecei esta tradução em Dezembro do ano passado despretensiosamente. Fui traduzindo aos poucos e então parei para priorizar outras traduções e também minha vida normal (trabalho + faculdade). Por causa da morte de Flew achei interessante concluí-la, para que os leitores tivessem mais uma fonte primária sobre ele. Segundo, mesmo que eu tivesse começado com esta tradução há poucos dias, com todo respeito, não é da sua conta o que eu decido postar aqui. Eu não preciso dar satisfação para sua pergunta bastante atrevida “por que vem com uma tradução de um texto de 2004?”. Eu posto o que eu quiser, leia e comente quem quiser.

  4. 7 – Sobre sua afirmação de que eu pratico “ceticismo seletivo”, ela é uma piada. Ora, se estava comentando a reportagem do “The New York Times”, no meu comentário eu busquei trazer opiniões apenas esta reportagem, questionando apenas este caso específico. Quer debater sobre a ressurreição de Jesus? Sobre DI? Sobre Evolução? Ótimo, vamos para outra arena e lá você avalia se eu fui objetivo ou não, se usei do mesmo critério para questionamento ou não. Não misture as coisas. -No mais, eu já aceitei seu “Tchau”. Sinceramente, não acho que vou ganhar muita coisa escrevendo para você. Pelo ao olharmos para o passado, temos muitos motivos para pensar assim. Posso correr o risco de escrever, de lhe responder com a maior boa vontade do mundo, e então ter de esperar 50 semanas para então você fazer dezenas de perguntas sobre assuntos diversos e dizer uma semana depois, “Tchau”. Caso você queira voltar a conversar. Caso você queira ler uma resposta ao seu argumento da contingência e aos demais argumentos ou questionamentos que você fez, terei todo prazer do mundo em escrever, contudo, peço que pare de praticar imposturas. Se eu escrever algo para você, quero uma resposta, não um “Tchau” 51 semanas depois. Se escrever algo para você, quero respostas ao que escrevi, não ataques pessoais baratos como “ele pede dinheiro igual ao Malafaia”, ou “ele é um pregador” (sobre isto, obrigado pelo elogio). Se escrever algo para você te respondendo, também exercerei meu direito de fazer perguntas, para as quais eu gostaria de recebe respostas, não fugas como “olha o relativismo epistemológico dele”. Caso aceite as condições acima, então me prepararei e responderei às suas questões / argumentos (separadamente, pois as questões são distintas em alguns casos), e também demorarei algum tempo (não se preocupe, não serão 51 semanas), pois perguntas como “mostre como a teoria da evolução não refuta o DI” demandam pesquisa. Estamos ou não um passo além da mediocridade de debates de “Orkut”? Sim? Então vamos prezar por boas respostas, organizadas e com rigor. Respostas como seu “Tchau”, que devem ter demorado 10 minutos para serem produzidas, sinceramente não me interessam. Fraternalmente,Eliel Vieira

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s